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19.10.2008
Construção quer mais crédito dos bancos.
Jornal do Commercio - Economia - 19/10/2008
O setor de construção civil estima que necessitará de um socorro da ordem de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões
BRASÍLIA - O setor de construção civil estima que necessitará de um socorro da ordem de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. Esse montante será suficiente para que não haja uma queda brusca no número de empreendimentos em 2009, segundo explicou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão. “Não podemos deixar a peteca cair”, afirmou. Ele acredita que as medidas para o setor prometidas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, virão na forma de linhas de crédito, a exemplo do que já foi feito para a agricultura e para os exportadores.
“Instrumentos, há muitos”, disse o empresário. “Pode ser linha de crédito do BNDES ou da Caixa, ou pode ser liberação de compulsório.” Ele explicou que atualmente 30% dos recursos da caderneta de poupança são recolhidos pelo Banco Central na forma do depósito compulsório. O governo poderia liberar parte desses recursos, direcionando o dinheiro para as construtoras. Outra possibilidade seria criar mecanismos para que as construtoras descontem recebíveis. Ou seja, permitir que elas transformem em dinheiro, agora, os créditos que vão entrar em seu caixa nos próximos meses e anos, decorrentes da venda financiada de imóveis. Segundo Paulo Simão, muitas empresas começaram a construir na expectativa de conseguir empréstimos para concluir a obra. Como as condições de crédito agora estão mais difíceis, uma solução seria a construtora vender seus recebíveis.
A presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, informou na quinta-feira que a instituição poderá criar uma linha de crédito para a construção civil. A Paulo Simão, ela disse que há recursos disponíveis. “Falta só criar um instrumento”, disse o empresário. Ele reconheceu que a crise produzirá efeitos negativos no setor. “Não adianta tapar o sol com a peneira”, comentou. Muitas construtoras já anunciaram a revisão de seus planos de investimento para 2009, diante da perspectiva de menor crescimento econômico. Os adiamentos nem sempre são motivados por falta de dinheiro. Muitas vezes, trata-se de uma medida de precaução. “No atual quadro, muitas empresas não querem colocar a mão no bolso, preferem guardar”, comentou. Simão não soube estimar quantas empresas sofrem com a dificuldade de obter crédito.
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